quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Classificação das SMD - Atual

Bom dia...vimos no post anterior sobre SMD (Sindromes Mielodisplásicas) que a primeira classificação foi elaborada em 1982 pelo FAB (Grupo Francês-Americano-Britânico); com o passar dos anos esta classificação mostrou-se incapaz de englobar todos os tipos de SMD, e assim, em 1999, foi lançada esta nova classificação pela OMS (Organização Mundial da Saúde), muito mais abrangente e complexa. Relembrando a SMD-1982: 1) AR (Anemia Refratária), 2) ARSA (Anemia Refratária com Sideroblastos em Anel), 3) AREB (Anemia Refratária com Excesso de Blastos), 4) AREB-t (Anemia Refratária com Excesso de Blastos em Transformação) e 5) LMMC (Leucemia Mielomonocítica Crônica). Na nova classificação SMD-1999, foram retirados os sub-tipos AREB-t (considerado leucemia aguda) e LMMC, que juntou-se a LMCJ (Leucemia Mielóide Crônica Juvenil) e a LMA pós-SMD numa nova categoria chamada Doença Mielodisplásica/Mieloproliferativa. Assim, temos a nova classificação das SMD, com elementos antigos e novas inclusões:
1) AR sem sideroblastos em anel, 2) ARSA, 3) AREB, 4) Citopenia Refratária Com Displasia de várias linhagens (o termo citopenia podendo referir-se a uma anemia isolada, leucopenia isolada ou plaquetopenia isolada, o que não era considerado na classificação anterior), 5) Síndrome 5q- (este símbolo representa uma alteração genética, que é a deleção de parte do braço longo do cromossomo 5, que gera uma entidade clínica com anemia macrocítica e plaquetose, geralmente com necessidade transfusional), 6) LMA e SMD secundária a terapia (devemos lembrar que a própria quimioterapia tem potencial oncogênico) e 7) SMD inclassificáveis. O assunto é complexo mas espero ter contribuído em suprimir algumas dúvidas. Continuo à disposição de todos no blog, um abraço.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mudança de Endereço - Consultório

Boa tarde a todos...logo voltarei com novas informações sobre a hematologia, mas neste momento comunico a mudança de endereço de meu consultório particular em Ribeirão Preto-SP.
Agora estou na Rua Guarujá, 304 - Jardim Paulista. Interessados em agendar um horário ou mesmo deixar um recado para conversarmos informalmente sobre o assunto, podem ligar no (16)-3289-0900. Aos amigos que deixaram comentários no blog, solicito à Katia Agelune e à Vanderlucia que, caso tenham interesse, deixem seu e-mail neste espaço que poderemos trocar uma idéia sobre a situação particular de cada uma de vocês. Um abraço, Luís Cláudio.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Classificação das Mielodisplasias

Entramos no território das pré-leucemias, e hoje falaremos sobre os tipos de SMD. Esta primeira classificação foi proposta há quase duas décadas, e imaginava-se cobrir todas as possibilidades de SMD, o que não ocorreu. Mas ela é nosso ponto de partida para esclarecer uma dúvida muito comum em consultório sobre a SMD: "doutor, se eu não tenho anemia nem leucemia, o que eu tenho afinal?". Nesta classificação, cinco doenças compõe as primeiras mielodisplasias reconhecidas: 1) Anemia Refratária: número reduzido de blastos na medula, exige 6 meses de anemia sem melhora nem relação a outras causas; 2) Anemia Refratária com Sideroblastos em Anel: número reduzido de blastos na medula, que apresenta os sideroblastos (blastos da série vermelha com ferro disposto em forma de anel, e não espalhado aleatoriamente como é costume); 3) Anemia Refratária com Excesso de Blastos: anemia crônica cuja medula apresenta número moderado de blatos; 4) Anemia Refratária com Excesso de Blastos em Transformação: anemia crônica cuja medula apresenta número excessivo de blastos, praticamente no limite entre a SMD e a leucemia; 5) Leucemia Mielomonocítica Crônica: número variável de blastos na medula, porém com monocitose importante no sangue periférico, em algumas classificações já fora das mielodisplasias e considerada uma doença mieloproliferativa. Por hoje é só, um abraço.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mielodisplasia

Olá...após um período sem blogar, por motivos de doença na família, volto para entrar num tema polêmico, ao qual prometi voltar há alguns meses. No post "Anemia vira Leucemia?", informei que somente uma investigação correta pode afastar o risco de uma anemia ser uma pré-leucemia; mas afinal, o que é uma pré-leucemia? Na maioria das vezes, é uma proliferação clonal de células da medula óssea, porém de uma forma mais lenta e arrastada que uma leucemia, não se caracterizando na primeira consulta como uma doença neoplásica, ou seja, há um crescimento celular errado (displasia) dentro da medula óssea (mielo), daí o termo mielodisplasia, ou síndrome mielodisplásica (SMD). A grosso modo, número elevado de blastos (célula tumoral) na medula óssea representa uma leucemia, e um número baixo caracteriza uma síndrome mielodisplásica. A SMD pode causar citopenia de uma série (anemia, leucopenia, plaquetopenia), de duas associadas ou das três juntas (pan-citopenia). Poderemos ter, portanto, uma SMD iniciando-se apenas como uma anemia sem causa aparente (dosagem de vitaminas e outros exames normais); é nestes casos que temos uma anemia que não responde ao tratamento padrão (ferro) e que deve ser investigada a fundo com a coleta do mielograma. Uma dica para suspeitarmos de uma anemia ligada a SMD, é que o hemograma apresenta VCM elevado; VCM é o volume corpuscular médio, e quando está elevado dizemos que há uma anemia macrocítica, diferente da anemia ferropriva que é microcítica (VCM diminuído). Logicamente, há outras causas de macrocitose, a mais comum é a falta de ácido fólico ou vitamina B, e por isto foi elaborada uma classificação para a SMD, baseada em exames e tempo de evolução, que veremos nó próximo post. Um abraço.

domingo, 18 de abril de 2010

Comentários

Olá...minha postagem de hoje é para agradecer os comentários que estão chegando, sempre motivando a gente a continuar escrevendo sobre o assunto. E um recado especial para a blogueira Kátia, que deixou seu recado ontem (17/04): se sua anemia tem células com anisocitose persistente, este é um caso em que ela deve ser investigada a fundo. Passe com um hematologista de sua cidade ou entre em contato comigo, um abraço a todos vocês.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Eosinofilia

Assim como os linfócitos, os eosinófilos são sub-tipos de leucócitos (os glóbulos brancos) e podem ter sua produção aumentada em resposta a estímulos específicos. Geralmente, a eosinofilia aparece como uma resposta à presença de parasitas ou substâncias estranhas ao organismo. É comum resumirmos o aumento de eosinófilos no sangue à dupla verminose/alergia, e isto não é totalmente errado, porém inadequado. Quando falamos em parasitas, logicamente as verminoses helmínticas são as causas mais comuns de eosinofilia (exemplo: Ascaris), porém outros patologias parasitárias, como a escabiose ou a hanseníase, tambem estimulam produção de eosinófilos; exemplos de mega-eosinofilias são a Síndrome de Loeffler, uma infiltração respiratória pelo Estrongyloide, ou a Toxocaríase. Com relação às alergias, tanto a rinite e asma brônquima, como as dermatites atópicas tambem levam a esta reação. Saindo da dupla parasitas/alergia, temos como outras causas de eosinofilia a escarlatina, a artrite reumatóide com vasculite, a leucemia mielóide crônica, a Doença de Hodgkin, a reação a nitrofurantoína ou envenenamento por sulfato de cobre. Por hoje é só, um abraço.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Linfocitose

Linfocitose é o aumento no número de linfócitos (um dos sub-tipos do leucócito), podendo ou não estar associada a leucocitose. O número normal de linfócitos varia no ser-humano, já que normalmente ele predomina sobre os neutrófilos na criança lactente, enquanto os neutrófilos predominam a partir da puberdade até a idade adulta. Tradicionalmente, a linfocitose é associada a infecções virais, desde resfriados comuns até varicela ou hepatite, porém o aumento de linfócitos tambem pode aparecer em algumas patologias causadas por bactérias, como coqueluche e tuberculose, ou protozoários como a toxoplasmose. A importância da linfocitose é que geralmente ela está presente na leucemia mais comum da faixa etária pediátrica, a leucemia linfóide aguda. Um hemograma padrão da LLA costuma mostrar uma linfocitose importante, o que leva a uma neutropenia, muitas vezes ainda mais relevante que a própria linfocitose. Outra característica do hemograma na LLA, porém esta dependente da experiência do técnico do laboratório que verá a lâmina, são a presença ou predomínio de linfócitos atípicos. Numa leucemia, os linfócitos podem representar blastos, ou seja, o clone leucêmico que tomará conta da medula óssea; é claro que estes blastos não são linfócitos normais, e portanto tem morfologia diferente e por isso são chamados linfócitos atípicos. Lembremos, entretanto, que linfócito atípico NÃO É PATOGNOMÔNICO de leucemia, já que algumas infecções, como a mononucleose, tambem desencadeiam o aparecimento de atipia. Por hoje é só, um abraço.
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